A luz da vela tremulava,
mesclando-se com a pouca claridade que o luar projetava pela janela. Era
possível distinguir algumas silhuetas na sala em penumbra.
Mas nenhuma silhueta me importava, pois meus olhos estavam fixos na figura à minha frente.
Primeiro, me subiu um frio na espinha, típico destas situações. Após isso, o medo me
assombrou de tal forma que parecia impossível fugir ou sequer agir contra
qualquer coisa que a figura fizesse. Embora não pudesse ver seu rosto, sabia
que ela me encarava com sua expressão dura e seus olhos frios. É nestes momentos
em que nos encontramos na eterna dúvida:
é real ou apenas um sonho? A resposta nunca parece clara e quando parece, não acreditamos. E então a figura
falou. Sua voz não era acolhedora, tampouco
ameaçadora. Mesmo assim o coração para e bate. Pura disritmia. E as palavras ecoavam no ar, preenchendo o
vazio. “Palavras não ditas nos assombram
mais do que as pronunciadas”. Estranho. É como se o tempo tivesse parado, embora as palavras continuassem a
ecoar. A luz tremulante faz com que
pareça pior ainda. E em um segundo, a figura já não se encontra mais em minha frente. Sinto um certo alívio. Mas algo não me
sai da cabeça. Por que os pensamentos que
temos antes de dormir nos dizem tanto? Por que as conversas imaginadas e planejadas não se concretizam. Por que
precisamos que outras pessoas nos digam o
que precisamos fazer quando a resposta se encontra em nós mesmos? E com esses pensamentos, adormeci. Quisera eu
esquecer esta noite. Quisera eu não precisar
deste conselho pra seguir em frente.



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