27 de novembro de 2012


Palavras, de Denise Albuquerque




             A luz da vela tremulava, mesclando-se com a pouca  claridade que o luar projetava pela janela. Era possível distinguir algumas silhuetas na sala em penumbra. 

            Mas nenhuma silhueta me importava, pois meus olhos  estavam fixos na figura à minha frente. Primeiro, me subiu um frio na espinha, típico destas situações. Após isso, o medo me assombrou de tal forma que parecia impossível fugir ou sequer agir contra qualquer coisa que a figura fizesse. Embora não pudesse ver seu rosto, sabia que ela me encarava com sua  expressão dura e seus olhos frios. É nestes momentos em que nos encontramos na eterna dúvida: é real ou apenas um sonho? A resposta nunca parece clara e quando parece, não acreditamos. E então a figura falou. Sua voz não era acolhedora, tampouco ameaçadora. Mesmo assim o coração para e bate. Pura disritmia. E as palavras ecoavam no ar, preenchendo o vazio. “Palavras não ditas nos assombram mais do que as pronunciadas”. Estranho. É como se o tempo tivesse parado, embora as palavras continuassem a ecoar. A luz tremulante faz com que pareça pior ainda. E em um segundo, a figura já não se encontra mais em minha frente.         Sinto um certo alívio. Mas algo não me sai da cabeça. Por que os pensamentos que temos antes de dormir nos dizem tanto? Por que as conversas imaginadas e planejadas não se concretizam. Por que precisamos que outras pessoas nos digam o que precisamos fazer quando a resposta se encontra em nós mesmos? E com esses pensamentos, adormeci. Quisera eu esquecer esta noite. Quisera eu não precisar deste  conselho pra seguir em frente.
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